Era como um vulcão, de repente entrava em erupção, modificava tudo em seu caminho, me queimava, e voltava ao silêncio.
Já era o terceiro dia de chuva daquela semana de inverno, em alguns momentos permanecia só uma garoa, em outros encharcava a sacada. Cheguei da editora, tomei um banho quente que compensasse os pés molhados, e servi um uísque para relaxar, não que fosse um hábito, mas era sexta-feira, e meu último conto não fora publicado, então aquela noite certamente passaria escrevendo, ou pelo menos tentando. Meu atual apartamento, no sétimo andar do Palace Residencial, próximo à avenida principal da capital gaúcha, foi decorado pessoalmente por mim para que transmitisse o conforto e a sofisticação que desejava, os móveis em madeira rústica, a lareira, as plantas ornamentais. Cheguei em um momento da vida que aquele ambiente precisava me representar, pois sabia que passaria muitas horas ali, em minha própria companhia, entre os livros que me inspiravam, o computador, algumas xícaras de chá, café, e o gato malhado de cinza e preto. Era tudo que uma escritora introvertida desejara para seus 34 anos: sossego e privacidade.
Mas aquela noite não foi exatamente assim. Anoitecera e eu ainda não havia acendido as luzes, fiquei a observar em silêncio a rua, a chuva, o barulho dos carros na avenida, agora já pouco movimentada, e o horizonte de luzes dos prédios. A capital não dorme, as madrugadas são acompanhadas de diversas figuras como a minha própria, figuras noturnas, que encontram a si no silêncio da escuridão, e imergem em seus pensamentos. No entanto, o silêncio fora quebrado pela campainha. Abri a porta pensando ser o síndico, mas não, era ela, a menina estava encharcada, com os olhos borrados do rímel, e não era só a chuva que havia provocado tal fim à maquiagem.
Aquela menina só me dava dores de cabeça, ela fora estagiária da editora, recentemente havia sido contratada, era uma sonhadora, imatura, espoleta, não sabia nada da vida ainda e tinha uma perturbadora aparente inocência, ninguém sabia se era dissimulação, ou realidade. Eu ainda acredito que era uma inocência peculiar, como se tivesse vindo de outro planeta e não fosse contaminada pelo moralismo da nossa cultura, julgasse de forma diferente os fatos. Ela mexia comigo, confesso, me fazia pensar nela pelo simples fato de existir, mas era apenas uma garotinha com seus 19 aninhos. Eu suspirava fundo todas as vezes que ela vinha com aquele sorriso faceiro e me tocava prolongadamente, às vezes sentava no meu colo e dizia estar carente, sofria por um rapaz que jogava com a sua inexperiência, me pedia conselhos.
- O que está fazendo aqui, Yarinha?
- Desculpa, eu e ele terminamos, eu acredito que tenha sido o melhor, mas ele levou meu cachorrinho, estou arrasada, aquele bruto! Me deixa entrar.
Eu suspirei. Não sou fria, estava contagiada pela dor dela, mas aquilo me parecia problema, e certamente era problema. Deixei que entrasse, lhe dei toalhas limpas para que tomasse um banho quente. Ela saiu do banheiro nua. Já devem imaginar a minha cara nada surpresa. Ela não tinha vergonha, estávamos entre mulheres, ai ai…
- Gosta de chá de hortelã? - falei desviando o olhar para onde desse. - Sim, mas prefiro te acompanhar nesse uísque. - falou apontando para o copo sobre a mesa.
Viu só?! Era problema. Paz não era.
Servi a bebida. Dei-lhe um roupão para… enfim, para que se cobrisse. Já não estava conseguindo disfarçar a atenção à pele e aos poucos pelos do corpo. Yarinha era meio índia, o cabelo preto, abaixo do ombro, nunca muito arrumadinho. Usava uma franja de lado, a qual ela ajeitava frequentemente de um jeito especial, passava o polegar ou o indicador na franja, enquanto olhava de canto por cima do braço. Ai ai…
Conversavamos sobre o fato do cachorrinho e o triste destino que a relação tomou, e que já era esperado, mas ela começou a evitar e desviar o assunto, olhava para os lados, já não parecia nada atormentada. Desde que não se falasse no cachorro. Tomou o copo de uísque num gole só. Fiquei olhando, sem desfocar do pensamento “isso vai dar problema”.
- Você me beijaria, Nádia?
- Não. - respondi com as sombrancelhas erguidas com toda convicção. Ela desandou a chorar.
- Por que não? Estou tão envergonhada.
- Não é isso, se acalme. Ok, tudo bem. Beijaria.
Ela se virou para mim e grudou-se em meus lábios. Eu estava ainda resistindo, o pescoço imóvel na mesma posição que estava antes de responder ao drama infame. Ela sorriu, como uma criança travessa.
- Quero aprender contigo o que é sentir prazer.
Aí a gente pensa “desgraçadinha”, certeza que sabia do meu desejo, eu já estava salivando depois daquelas palavras, mas ainda desconfiada.
- Yarinha, tu não sabe o que está falando.
Ela tirou as mangas do roupão deixando os seios à mostra, e ficou me olhando, como uma oferenda.
- Que isso guria, se veste.
Ela levantou e ia colocando a roupa de volta, então eu mudei de ideia, óbvio. Puxei-a para perto de mim, beijei-a longamente, envolvendo-a em meus braços. Trocamos fortes afagos, ela explorava meu corpo com suas mãozinhas arteiras, isso me surpreendia e excitava, estava quase certa de que quem me ensinaria o que era prazer seria ela. Coloquei-a sentada sobre a mesa, abri suas pernas. Ainda posso sentir o cheiro daquelas cochas. E não sei descrever o quão bela era sua bucetinha (perdoem a palavra vulgar, mas combina com a selvageria da pequena). E ela era exatamente isso, selvagem e natural como um vulcão. Nunca senti tanto prazer em chupar uma buceta, me escapavam gemidos entre cada lambida, poderia ficar ali por horas. Quando olhava de relance seu rosto, e via a expressão solta, olhos fechados, lábios relaxados, boca entreaberta, tremia de desejo, não havia vergonha ali, ela sentia o momento como deveria ser.
Sentei no sofá numa posição favorável, levei-a pela mão, ela se encaixou entre as minhas pernas, esfregando clitóris com clitóris. Era levada pelo prazer a rebolar em cima de mim, e eu com a visão maravilhosa daqueles seios balançando. Não eram grandes, eram firmes e cabiam na mão, perfeitos, combinavam com a sapequisse da pequena.
Eu estava admirada, aquela menina era um vulcão, natural e avassalador. As expressões de prazer dela tão espontâneas, enquanto rebolava entre as minhas pernas, me faziam arrepiar. Deixei que derramasse em mim toda lava, que me queimasse intensamente. Beijou-me, séria. Mordi seus lábios carnudos. Deitou-se sobre meu corpo, estávamos ofegantes, ela acariciou meus cabelos, agora parecia uma menininha querendo um doce.
- Nádia, eu sou tua menina.
- Tu não é de ninguém, Yarinha.
Ela sentou-se com um beiço, não havia ganhado o doce. A menina jogava muito bem com os sentimentos, não pra enganar, era involuntário. Manhosa e aparentemente frágil, algo do típico estereótipo ditado às mulheres, mas tão autêntico, poderíamos dizer que era o modelo que antecedia ao padrão. Eu me desmanchava inteira.
Beijei-a mais uma vez, a boca, o pescoço, os ombros. Meus dedos procuravam sua vagina, e o clitóris. Que eu tinha certa habilidade com os dedos, não nego, naquela posição a fiz gozar, até urinou nas minhas mãos, e chorou novamente.
Tomamos banho juntas na banheira, descontraidamente, falando trivialidades e relembrando o tempo de estágio dela.
Depois daquela noite, me tornei seu refúgio das decepções amorosas. Saímos algumas vezes mais, acabávamos sempre naquela banheira, ela adorava me ouvir falar sobre a filosofia de Hegel, ou a sociologia de Simone de Beauvoir, e eu declamava empolgada com a curiosidade da pequena, vê-la crescer e amadurecer é especial.
Ah, e sobre o cachorrinho, acompanhei-a para recuperá-lo no dia seguinte, estavam todos a salvo.